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Thésis [Edição 04]

“Rio Cidade Olímpica” e a construção de uma (nova) imagem para a Zona Portuária do Rio de Janeiro

Ana Beatriz da Rocha, Paulo Reis

Resumo

Como parte das políticas neoliberais vigentes desde 1990, onde “cultura” tem sido um importante elemento nos processos de regeneração urbana, políticos e investidores vêm adotando amplamente o discurso de como a transformação (física e simbólica) de áreas (centrais, litorâneas e/ou portuárias) degradadas e a criação de novas identidades para as cidades impulsionam um novo ciclo de investimentos/ especulação – que, eventualmente, levaria à prosperidade econômica. Aliadas à inserção de arquiteturas espetaculares, estas políticas de transformação urbana promovem uma completa ressignificação dos espaços públicos, que passam a ser identificados como “bens de consumo” (cultural), avidamente consumidos por um público cada vez maior e mais diversificado.

Seguindo esta lógica, grandes projetos de regeneração urbana vêm sendo comissionados, desenvolvidos e implementados com o intuito de não só “consertar” políticas urbanas ineficientes mas, principalmente, de reverter o processo de declínio socioeconômico visto em cidades pós-industriais – sobretudo as litorâneas. Um dos principais aspectos deste fenômeno é a (re)invenção das cidades através do (re)desenho de suas áreas vazias, onde novas arquiteturas (espetaculares) e a ressignificação dos espaços públicos degradados visam alterar a imagem do lugar. Estes “novos” espaços reconfigurados passam a atrair um novo público e, consequentemente, inicia-se um novo ciclo de circulação de capital. De forma a impulsionar o consumo destes “novos” lugares, surge uma série de rótulos como “capital cultural”, “cidade criativa”, “cidade inteligente”, etc... que passam a ser bastante disputados, gerando uma grande competitividade entre as cidades.

Mas estes processos de reinvenção não são impunes – particularmente se considerarmos como padrões culturais existentes são manipulados de forma a promover uma “nova” identidade para as cidades. E é isso que torna interessante o processo de transformação que vem acontecendo na Zona Portuária do Rio de Janeiro.


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