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Thésis [Edição 03]

O edifício do IAB/SP – espaço de representações do moderno e de sociabilidade dos arquitetos

Ana Reis de Goes Monteiro, Taiana Car Vidotto

Resumo

Objetiva-se com esse artigo resgatar, através de fontes primárias, o contexto no qual foi projetado e construído o edifício do Instituto de Arquitetos do Brasil em São Paulo - IAB/SP, um dos principais exemplares da arquitetura moderna na cidade de São Paulo. Seu projeto, objeto de concurso, teve como autores um grupo de arquitetos composto por Abelardo Reidy de Souza, Galiano Ciampaglia, Hélio Queiroz Duarte, Jacob Ruchti, Miguel Forte, Rino Levi, Roberto de Cerqueira César e Zenon Lotufo. Construído na década de 1950, em uma região que se tornava uma nova centralidade urbana e espaço de movimentação artística e cultural, com a instalação de museus, bibliotecas, cinemas, teatros, galerias de arte e livrarias. O IAB/SP se uniu a esses espaços, tornando-se parte de uma rede de sociabilidade entre os arquitetos. Desta, participavam políticos, jovens estudantes, professores, intelectuais, artistas que frequentavam o espaço do térreo e do mezanino do edifício em exposições, audições musicais, palestras e demais eventos promovidos, incluindo a recepção de visitantes como Walter Gropius. Além disso, como espaço de trocas ideológicas, em 1964, com o Golpe Militar, tornou-se local simbólico de luta pela liberdade. Tombado pelo órgão de patrimônio estadual, o Condephaat – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico em 2002 e em 2015 pelo Conpresp – Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da cidade de São Paulo) e pelo Iphan – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, seu processo de restauro previu além da recuperação da estrutura física do prédio, a recomposição da fachada e a readequação do uso de alguns de seus espaços. Contudo, o principal objetivo era propiciar o resgate de seu papel cultural. A reforma foi iniciada e parcialmente concluída, com foco na estrutura das marquises externas e no reestabelecimento do espaço de eventos do instituto, que voltou a sediar eventos. Aos poucos a rua na qual se localiza tem retomado seu processo centralizador das atividades dos arquitetos naquela região. Nela se instalaram recentemente escritórios de jovens arquitetos, uma livraria especializada no térreo do edifício do IAB/SP. Esses espaços deram impulso definitivo à retomada do edifício do IAB/SP como palco privilegiado da memória do local, das práticas de sociabilidade dos arquitetos e da representação da categoria profissional.

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