pt | es | en

Thésis [Edição 02]

Memória e direito à cidade: políticas urbanas contemporâneas de Ouro Preto

Cláudio Rezende Ribeiro, Maria Cristina Rocha Simão

Resumo

O objetivo deste trabalho é duplo: primeiramente, enfrentar teoricamente a construção da cisão entre as políticas de preservação do patrimônio cultural e do planejamento urbano, uma vez que o direito à cidade só pode ser compreendido como luta por justiça social se contemplar este campo de ação; em segundo lugar, pretende evidenciar uma das formas mais tradicionais de construção desta separação a partir do caso-referência de Ouro Preto.

A cidade estudada, Ouro Preto, carrega em sua história a força e os conflitos inerentes à sua consagração como cidade símbolo da identidade nacional no início do século XX. Entretanto, a preservação deste “patrimônio histórico e artístico”, visto aí com esta abordagem – da história e da arte, mas estendido a todo o núcleo urbano, estabeleceu um conflito de origem, a conciliação da dinâmica urbana com a preservação do mesmo acervo material que estrutura a cidade.

As políticas de preservação do patrimônio cultural costumam ter um lugar reservado dentro do campo do planejamento urbano e mesmo do urbanismo. Costumam ser atribuídas a uma especialidade técnica que, se por um lado, contém elementos específicos que formatam sua práxis, por outro acaba por construir um senso comum de que tais ações não necessitam estar integradas a outros campos de produção da cidade. Esta parcelaridade pode ser bastante danosa para a produção de espaço com justiça social na medida em que desconsidera algo fundamental para a disputa política do espaço urbano, a memória de sua produção, isto é, da continuidade da produção contemporânea de espaço.

Palavras-chave: direito à cidade, patrimônio urbano, políticas públicas


Texto completo:

PDF

Referências


CARSALADE, Flávio de Lemos. 2007. Desenho contextual: uma abordagem fenomenológica-existencial ao problema da intervenção e restauro em lugares especiais feitos pelo homem, Salvador, UFBA/ PGA. (Tese, grau e Arquitetura e Urbanismo)

CARSALADE, Flávio de Lemos. A ética das intervenções. In: MIRANDA, Marcos Paulo de Souza, ARAÚJO, Guilherme Maciel, ASKAR, Jorge Abdo. 2009. Mestres e Conselheiros: Manual de Atuação dos Agentes do Patrimônio Cultural, Belo Horizonte, IEDS, p. 76-90.

CURY, Isabelle (org.). 2000. Cartas Patrimoniais, Rio de Janeiro, IPHAN, 2ª Ed.

FERRO, Sérgio. 2006. O Canteiro e o desenho. In: Arquitetura e trabalho livre, São Paulo, Cosac Naify, p. 105-200.

LEFEBVRE, Henri. 2001a. O direito à cidade, São Paulo, Centauro.

LEFEBVRE, Henri. 2001b. A revolução urbana, Belo Horizonte, UFMG.

LOWY, Michael. 2005. Walter Benjamin: aviso de incêndio: uma leitura das teses “Sobre o conceito de história”, São Paulo, Boitempo, 159 p.

MARX, Karl. 2013. O Capital, livro 1, São Paulo, Boitempo, 895p.

RIBEIRO, Cláudio Rezende. 2009. Ouro Preto, ou a produção do espaço cordial, Programa de Pós-Graduação em Urbanismo, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. (Tese, grau e Urbanismo)

SIMÃO, Maria Cristina Rocha. 2013. Preservação do Patrimônio Cultural em Cidades, Belo Horizonte, Autêntica, 2ª ed.

SANT’ANNA, Márcia. 2011. Patrimônio material e imaterial: dimensões de uma mesma ideia. in: GOMES, M.A.A. Filgueiras, CORREA, Elyane Lins (orgs.). Reconceituações Contemporâneas do Patrimônio, Salvador, EDUFBA, p. 193-198.

SANTOS, Milton. 2002. O espaço do cidadão, São Paulo, EDUSP.

VIÑAS, Salvador Muñoz. 2003. La Teoria Contemporânea de la Restauración, Madrid, Editora Sintesis.



desenvolvido por